Paula Marcely Marins Braga da Costa
Em março de 2020, uma notícia impactante chegou em todos os canais de informação: o surgimento de um vírus desconhecido dava início a uma pandemia. O vírus assustava toda a população, principalmente os médicos, que não conseguiam controlar o cenário desesperador. Mesmo com todas as notícias sobre o caos que estava chegando em nossas vidas, grande parte das pessoas não sabia o que estava acontecendo e não tinha noção da gravidade do que estava por vir, inclusive eu, pois quando começaram os boatos, eu não achava que a doença alcançaria o nível atual.
Fui pega de surpresa quando, na sala de aula da escola pública onde fazia estágio, uma professora veio conversar comigo sobre a possibilidade de não ter aula no dia seguinte. Lembro de ter achado exagero e de não ter levado a sério a informação. Havia saído direto da UERJ e não tinha visto TV naqueles últimos dias quando ela comentou que, naquele momento, estava tendo uma reunião para decidir sobre a suspensão das aulas e o fechamento das escolas. Levei um susto ao ver o quanto a doença havia progredido. Não demorou muito para notícia se espalhar. No dia seguinte, começou o que era chamado de distanciamento social, o que implicou em escolas e comércio fechados. A UERJ também suspendeu as aulas. E agora? Como ficariam os estudos e o estágio em meio a uma pandemia? O que era uma pandemia? Quanto tempo duraria? Muitas perguntas começaram a tomar conta da minha mente, até porque só conhecíamos esse cenário através de livros e filmes. Na prática, como poderíamos sobreviver a uma pandemia?
O medo e insegurança dominaram. Na TV, só passava a notícia de que um vírus desconhecido abalava o cotidiano da população. Não podíamos mais sair de casa. Caso necessário, os cuidados precisavam ser redobrados. Tivemos que nos adaptar, também, ao uso de máscaras.
Os médicos trabalhavam incansavelmente para tentar salvar vidas e, ao mesmo tempo, sobreviver a mais um dia de trabalho. Foi quando, uma das notícias que mais me impactaram naquele contexto, apareceu na televisão: um morador de rua perguntava por qual razão todas as pessoas, do dia para a noite, começaram a usar máscaras. Enquanto uma parte da população tentava se proteger, outra nem tinha acesso a informações para saber o que estava acontecendo. Qual seria o nível de desigualdade na luta para vencermos a COVID-19? Teríamos o apoio do governo para sobreviver os dias de medo e de falta de informação sobre o verdadeiro caos que iríamos viver?
Mudanças precisaram ser feitas em nosso cotidiano para cumprir as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde, como a adoção de máscara e de distanciamento social. A partir daquele momento não poderíamos mais visitar amigos e familiares. Ao voltarmos do supermercado, ou algo parecido, precisaríamos readaptar nossos hábitos; deveríamos higienizar as mãos e os alimentos e redobrar os cuidados com a casa.
Além dessas mudanças, o ensino passou a ser de forma remota. Tivemos que nos adaptar à nova modalidade e aprender a dominar ferramentas educativas on-line. Novas plataformas foram desenvolvidas para dar andamento aos estudos acadêmicos. Muitas dificuldades foram enfrentadas durante o período, não só pelos alunos, como também pelos professores, que agora precisavam levar o trabalho e a sala de aula para dentro de suas casas e desenvolver novas habilidades tecnológicas.
Com o início das aulas remotas, não precisava mais acordar às 5h, pegar um ônibus lotado para ter aulas na UERJ. As aulas seriam dentro de casa. Questiono-me se se tratava de uma possibilidade de descanso, já que poderia acordar um pouco mais tarde, ou uma forma de atrapalhar os estudos, porque a chance de perder a concentração era maior. Por isso, me perguntei por um bom tempo se, realmente, daria conta de estudar de forma remota ou se era melhor trancar. Mas quando iria terminar a faculdade, uma vez que a pandemia já havia atrasado os estudos? Decidi, então, me esforçar para dar continuidade, com qualidade, ao curso, principalmente ao lembrar o quão difícil havia sido conquistar um espaço na academia.
Sempre acreditei que não queria estudar no modelo EAD, porque sabia que haveria grandes chances de a minha falta de concentração me atrapalhar, mas, com a COVID- 19, veio o ensino remoto, que me lembra bastante essa modalidade. Durante o período, procurei tentar ler os textos e acompanhar as aulas, mas, nesse intervalo, comecei a trabalhar no horário das aulas e tive um pouco de dificuldade de acompanhar tudo o que estava acontecendo. No período passado, por exemplo, precisei me readaptar e ter muita disciplina na faculdade, para não prejudicar minhas notas, e no trabalho, para não o perder, haja vista que, no contexto social em que estávamos vivendo, ele era muito importante.
Precisei depender da compreensão dos professores e da ajuda dos outros alunos para superar o momento confuso que estava vivenciando. Foi bem difícil, mas, felizmente, deu tudo certo. As disciplinas que peguei eram com aulas assíncronas, então me permitia assistir em horários alternativos. Algumas vezes, havia aulas síncronas, mas a maioria ficava gravada para que os alunos pudessem acompanhar depois. Consegui dar continuidade aos estudos e me organizar para neste semestre estar mais presente nas aulas. Para tanto, mudei o horário no trabalho e, agora, consigo conciliar os dois.
Em relação à pandemia, a situação evoluiu de forma positiva. Atualmente, grande parte da população já está caminhando para a 3ª dose da vacinação e, aos poucos, está sendo afrouxada a obrigatoriedade do uso de máscara, no Brasil, o que é uma vitória para a nossa população. O avanço da vacina, apesar do negacionismo em relação à ciência, nos mostra, mais uma vez, como é importante apoiar a educação e a ciência, para que, em momentos como esses, possamos ter materiais. Por isso, o apoio do Estado em nossas pesquisas é fundamental para servir de auxílio em momentos difíceis.
No que concerne à minha aprovação na faculdade, cabe destacar que, após algum tempo afastada da escola, decidi voltar a estudar, pois meu sonho sempre foi passar para uma universidade pública. Decidi, então, entrar em um pré-vestibular social. As aulas do pré, contudo, eram à noite e, como eu ia direto do trabalho, eu já estava cansada e não conseguia acompanhar como as outras pessoas, que ainda estavam finalizando o ensino médio. Mas eu não podia desistir, pois, apesar do cansaço, sempre gostei de estudar.
Fiz dois anos de pré. No primeiro, fiz prova para Direito, pois queria prestar concurso para delegada federal, mas fiquei na fila de espera. Acredito que ter ficado na espera tenha sido pior do que não passar, pois, dessa forma, acabei criando uma falsa esperança. Assim, no segundo ano, não queria mais continuar e pensava em desistir. Todavia, tive muito apoio dos professores do projeto, que me incentivaram a tentar novamente. Mas eu já não queria mais cursar Direito por ter presenciado algumas aulas de uma colega na faculdade e ter percebido que para seguir aquela profissão teria que ir contra aos meus princípios. Então, fui à procura de um curso que me trouxesse mais satisfação profissional. Comecei a pensar na possibilidade de trocar para a Pedagogia, tendo como segunda opção a Psicologia.
Após os dois de pré-vestibular, fiz a segunda prova sem tentar ficar muito ansiosa, e, por isso, não vi quando saiu a lista de classificação. Recebi uma ligação do meu professor de matemática, e coordenador do curso, perguntando se já havia visto o resultado. Lembro como se fosse hoje, pois, após aquela ligação, foram muitas comemorações. As comemorações se prolongavam, já que, de acordo com o resultado, eu só começaria a estudar no 2° semestre de 2019. Foi quando, mais uma vez, fui pega de surpresa: dois dias antes do trote vi que o resultado havia sido alterado e eu havia sido remanejada. Naquele momento, faltava pouquíssimo tempo para começar a vida universitária, pois eu não teria mais que esperar até agosto. Faltavam menos de 15 dias para começarem as aulas! Foi um misto de sensações, acompanhado de muito nervosismo, principalmente porque não esperava começar a estudar tão rápido. Descobri no sábado à noite que meu trote seria na segunda. O trote foi maravilhoso, pois fui acolhida pelos veteranos, participei das brincadeiras e conheci, de forma divertida, o espaço e as pessoas com que iria estudar.
Lembro, como se fosse hoje, da alegria e do carinho com que fomos recebidos na UERJ, da descoberta daquele mundo de informações, da curiosidade que eu tinha em saber por que os estudantes que conhecia eram tão apaixonados por aquele lugar. Outras duas colegas que estudaram comigo no pré-vestibular começaram o curso de Pedagogia junto comigo e, assim, fomos tentando nos adaptar à nova vida.
Na primeira semana de aula, começaram as apresentações. Os professores perguntaram por que tínhamos escolhido Pedagogia. Lembro de ficar muito nervosa, sem saber o que falar ou por onde começar, principalmente ao ouvir a maioria das minhas colegas de turma dizendo que a mãe era pedagoga e/ou que havia estudado em escolas de curso normal.
O que Direito tem a ver com Pedagogia? Eu me perguntava durante as apresentações. Também não sabia o porquê de estar ali. Mas lembrava de minha infância, quando, por volta dos 9 anos, estudava de manhã e era “ajudante da professora” à tarde, e a satisfação que aquela brincadeira me dava. Como pude ter esquecido, por um tempo, daquele episódio da minha vida, cujo meu maior sonho era ser professora? Poder auxiliar as crianças menores me deixava feliz, ainda mais quando alguma delas me chamava de “professora”. A partir daquele instante, pude perceber o que seria cursar Pedagogia para mim.
Logo nos primeiros dias de aula, me apaixonei pelo curso. Como pode haver uma faculdade que se dedica a estudar o brincar e as crianças? Os textos, as falas dos professores, os vídeos: tudo fazia muito sentido do motivo de eu estar ali. Contudo, a rotina era cansativa, pois exigia acordar cedo, pegar o ônibus lotado para chegar às 7h. Logo no 1° semestre peguei uma eletiva às 16hs e, por esse motivo, precisava passar um dia inteiro na UERJ, pois todas as outras minhas aulas eram no período da manhã. Apesar do cansaço, eu estava feliz com a escolha que tinha feito. No 2° semestre, consegui um estágio de mediadora de uma criança com autismo em uma escola pública perto da minha casa. A professora da turma me ajudava muito e, nos dias em que a criança que eu mediava faltava, ela me dava dicas e trocávamos ideias de como era a rotina na escola pública. Mais uma vez, eu estava encantada com os aprendizados que a Pedagogia podia me agregar.
No começo de 2020, começou a pandemia. As aulas e o estágio tiveram que parar. Pairava um misto de dúvidas e ansiedade para saber como as coisas iriam se resolver. Foi, então, que começamos o ensino remoto durante o Período Acadêmico Emergencial (PAE). As dúvidas passariam a ser tiradas através de fóruns e/ou videoaulas, o que limitava a interação entre alunos e professores. Comecei a me adaptar e a me questionar se o ensino remoto seria bom para a minha formação. No início, achei bem difícil ter aulas nessa modalidade, mas, aos poucos, alunos e professores foram se adaptando a esse novo modo de estudar.
Foi justamente na pandemia que tive a primeira oportunidade de atuar em uma área que sempre tive curiosidade e vontade: a educação infantil. Em meio ao caos que estávamos vivendo, fui trabalhar em uma escola particular que foge completamente do ensino tradicional. Lá, busca-se valorizar o aprendizado através das relações entre as pessoas e o espaço, explorando um ambiente externo que viabiliza vivências diversas para que as crianças construam essas relações. Na escola, pude relacionar questões teóricas com o cotidiano e com a agitação do espaço escolar, o que me ajudou a compreender e a vivenciar como são desenvolvidos e aplicados os conhecimentos teóricos aprendidos na faculdade, mas que, muitas vezes, acreditamos que não serão usados em nosso dia a dia.
Ao entrar na graduação, fui indagada, em diversos momentos, sobre o papel do pedagogo na escola, mais especificamente, na educação infantil. Lembro de me perguntarem: “vai estudar para aprender a brincar?”. No decorrer do processo, pude compreender a importância do estudo sobre a infância e sobre o brincar no cotidiano escolar. A organização do espaço, a valorização da individualidade e da autonomia estão sempre presentes no espaço escolar, de modo que os textos lidos nos ajudam a compreender aspectos importantes do desenvolvimento infantil.
As expectativas em relação ao que seria aprendido durante o curso de pedagogia vêm sendo atingidas e elevadas a cada dia. Fico completamente encantada com a forma como o brincar pode ser “estudado”, e como as brincadeiras são importantes para o nosso desenvolvimento como pessoa.
Do final do 2° semestre para o início do 3°, fui informada de que precisava escolher uma matéria que duraria dois anos e que serviria de introdução à disciplina de monografia, que teríamos ao final da graduação. Para mim, foi um susto, porque não esperava ter que fazer uma escolha tão importante logo no início do curso. Ainda estava um pouco perdida com a rotina universitária e achei uma escolha muito difícil de ser tomada, pois ainda não tinha definido, exatamente, o que queria pesquisar, só sabia que me interessava por educação inclusiva. Assim, ao pesquisar sobre as disciplinas de PPP que seriam oferecidas naquele semestre, fiquei bem chateada ao descobrir que só teriam três no horário da manhã e três no horário da noite. Justamente a PPP de educação inclusiva, que eu havia me interessado de primeira, seria ofertada no horário da noite, o que, naquele momento, seria inviável para mim por questões de trabalho, uma vez que estudo de manhã e trabalho à tarde.
Diante da situação, precisei procurar uma segunda opção. Para tanto, fui a uma reunião feita para apresentar as PPP. Nela, os alunos da professora Ana Chrystina Mignot apresentaram a disciplina. A animação e o carinho dos ex-alunos, ao apresentarem a PPP, chamaram minha atenção. A ideia de poder estudar e aprender um pouco mais sobre a biografia de autores importantes para a pedagogia me fez sentir curiosidade pela matéria. Foi, então, no início do 3° período que começamos, ainda de forma presencial, a disciplina.
Contudo, no início do 3° semestre, em março de 2020, tivemos o advento da pandemia e reiniciamos a PPP de forma remota, o que me deixou muito desanimada, pois, naquele cenário, não seria mais possível ter a oportunidade de fazer viagens para pesquisar a vida dos autores, como os ex-alunos haviam dito durante a apresentação da disciplina. Assim, fiquei meio perdida, sem saber ao certo como a disciplina iria prosseguir. De início, tive bastante dificuldade de acompanhar, pois ainda estava me adaptando ao ensino remoto. Porém, como as aulas foram gravadas, pude assisti-las posteriormente.
Dentre as propostas da disciplina, gostaria de destacar um trabalho que gostei bastante: a leitura e a apresentação de biografias. No princípio, tive dificuldade para escolher, pois nunca havia lido uma. Além disso, queria ler uma biografia que pudesse, de alguma forma, me representar, em especial que fosse a biografia de uma mulher negra, assim como eu, que tivesse sido importante na história do Brasil. Porém, acabei mudando, pois não consegui achar uma que cumprisse esses requisitos e que ainda não tivesse sido escolhida pelos meus colegas de turma. Desse modo, acabei escolhendo a biografia de Nelson Mandela.
Tal atividade pode ser relacionada com um evento muito relevante que tivemos em nosso PPP: o Café Biográfico. Nele, tivemos a oportunidade de debater sobre diversos temas importantes, com a presença de professores de diferentes regiões do país, que puderam agregar de forma positiva em nosso conhecimento. Foram abordados variados temas, como os desafios de biografar, mulheres, vida, educação e educadoras invisibilizadas. Gostaria de enfatizar esse último, uma vez que discutiu exatamente o que havia pensado quando da escolha de um sujeito para ler e apresentar biografia: a invisibilidade de mulheres em nossa história. Nesse sentido, ressalto um trecho do meu trabalho relativo ao Café Biográfico que descreve essa situação: “as mulheres perpassam por uma suposta incapacidade de realizar determinados serviços, e quando os realizam com excelência, os mesmos são silenciados, não dando a devida importância que ela merece. Isso se dá ao modelo patriarcal em que nossa sociedade foi formalizada, onde a mulher precisava ser submissa ao homem para ser respeitada como ‘mulher de família’”.
Além desse tema, muitos outros assuntos importantes foram debatidos. O Café Biográfico foi uma experiência rica e de muito aprendizado. Poder ter contato com pessoas de diferentes regiões e com diferentes experiências, em meio a uma pandemia, foi um momento rico em nossa disciplina. A experiência, mesmo que pela tela, aguçou minha curiosidade, no início da PPP, de interagir, ouvir e aprender com pessoas de diferentes regiões do país.
Durante as discussões promovidas pelo evento, pudemos perceber a importância de sabermos quem são as pessoas que foram importantes em nossa história e porque essas histórias foram preservadas por tanto tempo. O que faz um documento ser preservado e outro não? Os debates levantados na PPP têm contribuído para a minha formação profissional, em especial no que concerne à importância de registros e anotações capazes de servir como objetos de pesquisa futuros. Importa destacar uma das primeiras aulas em que foi tratada a importância da memória dos arquivos escolares. Foi abordado o fato de que anotações e bilhetes escritos por nós podem, após algum tempo, ser usados como objetos de pesquisa. Recordei-me desse fato quando iniciei a escrita deste texto. Será que futuramente ele poderá ser usado em pesquisas? A PPP também tem sido interessante por me fazer atentar para a importância das biografias e sobre a curiosidade em se conhecer a história das pessoas que escrevem os textos que nós lemos dentro e fora da academia.
O último trabalho da disciplina está sendo a escrita de uma autobiografia, o que está sendo muito rico para minha formação, pois, além de treinar um novo modelo de escrita, estou tendo a oportunidade de relembrar e registrar minhas memórias durante um momento marcante na história: a pandemia. Acredito que daqui a algum tempo, ao reler essa escrita, iremos poder ter uma experiência incrível ao relembrar nossas adaptações, conquistas e avanços durante o cenário assustador que está sendo a pandemia.
Durante a elaboração desse último trabalho, e ao me aproximar do término da PPP, comecei a pensar em qual tema queria abordar em minha monografia. Confesso que não foi uma escolha fácil, porém tentei me recordar dos assuntos que conquistaram meu interesse desde o início da graduação. Recordei-me, então, das matérias do campo da psicologia, que abordaram temas como o desenvolvimento infantil e que discutiram e tentaram explicar essa questão. Lembro que fiquei encantada desde o primeiro contato e busquei resgatar alguns autores que chamaram minha atenção, como Piaget, Vygotsky e Winnicott.
Como dito, foi no auge da pandemia, em fevereiro de 2021, que tive a minha primeira experiência na educação infantil, quando fui trabalhar, como estagiária, na escola Jangada, no Cosme Velho, bairro da zona sul do Rio de Janeiro. A escola se baseia na pedagogia winnicottiana, um dos autores que citei acima, o que reforça o meu interesse em sua teoria. O espaço oferece aulas desde os primeiros anos da educação infantil até o 2° ano do ensino fundamental. Lá, fiz meu estágio obrigatório e, atualmente, sou auxiliar. Os textos que vêm sendo trabalhados e os materiais da graduação têm me ajudado a compreender o desenvolvimento das crianças e têm ampliado meus conhecimentos, impactando, diretamente, na realização do meu trabalho. Admiro como cada criança consegue demonstrar sua individualidade. Cada dia é diferente e é uma nova experiência para a minha formação.
Quando entrei na escola, tive um misto de sensações. Trabalhar com a educação infantil, para mim, é algo que vai além do que um simples trabalho, pois sempre fui apaixonada pelas crianças e tive muita curiosidade em relação ao seu desenvolvimento. Assim, poder estudar e vivenciar todos os dias como as crianças aprendem a se relacionar e como elas se desenvolvem é um grande privilégio. Nunca pensei que estudar o brincar e o desenvolvimento infantil me traria tanta satisfação profissional. Trabalhar com essas crianças, que me surpreendem e me ensinam coisas diferentes a cada dia, vem sendo uma experiência inexplicável e incomparável para a minha formação como pedagoga. Desde os primeiros semestres da faculdade, quando tive aula com o professor Aristeo Leite, hoje, meu professor de estágio, me questionava como seria relacionar os textos e as discussões da sala de aula com a rotina escolar e sua prática pedagógica.
Com a chegada da pandemia e o início da minha experiência na educação infantil, pude observar como muitas crianças, nascidas no contexto pandêmico, estavam tendo dificuldades para interagir com outras crianças e se adaptarem ao ambiente escolar, mesmo a escola tendo um projeto pedagógico que respeite a individualidade e o tempo delas. Pude observar crianças que, segundo seus familiares, nunca tiveram contato com outras pessoas, sem ser os familiares, porque nasceram no meio da pandemia. Por isso, pensei em pesquisar como a pandemia pode ter interferido no desenvolvimento infantil, seja de crianças que nasceram no cenário pandêmico ou de crianças que tiveram que alterar toda a rotina para se isolar durante o distanciamento social que vivemos. Esse desenvolvimento foi afetado da mesma maneira em diferentes classes sociais e diferentes faixas etárias?
Para desenvolver a pesquisa, pretendo utilizar da teoria de Vygotsky sobre como as interações sociais são importantes para que esse desenvolvimento ocorra, tentando entender o que esse distanciamento pode causar, futuramente, nessas crianças que não tiveram muitas intenções em seus primeiros anos de vida. A teoria de Piaget também me ajudará a entender se, após o isolamento, as fases do desenvolvimento infantil poderão sofrer alterações e como poderemos lidar com elas no espaço escolar, de acordo com cada faixa etária. Dessa forma, a pesquisa poderá contribuir com o planejamento pedagógico das escolas, e, quiçá, para o desenvolvimento de políticas públicas que levem em consideração a interferência do isolamento social no desenvolvimento infantil.
A partir dos temas abordados durante a PPP, pude perceber como os registros feitos durante o processo são importantes para contribuir com a pesquisa, ao resgatar as nossas memórias. Além disso, conhecer determinados autores e suas intenções é importante para compreender o que eles abordam e por qual motivo tal tema é tratado de uma maneira específica. Por isso, tentarei procurar conhecer mais sobre os autores que abordam o desenvolvimento infantil, defendem essa teoria e como esse processo foi desenvolvido. Quais fontes foram estudadas? Quem serão os beneficiados com os estudos e com a teoria desse autor? Será que essa teoria é inclusiva ou tenta, pelo menos, entender parte significativa de nossas infâncias?
