Nathália Pichinine Branco
O alerta quanto ao início da pandemia do novo Coronavírus, em 2020, no Brasil, ocorreu durante a comemoração de aniversário do meu irmão. Clima de festa e diversão, até o momento em que um convidado anunciou o que estava acontecendo, mostrando o celular com a reportagem. A princípio, foi um momento de choque e de muita aflição devido ao fato de terem comunicado a necessidade de isolamento social total por duas semanas. Apesar de não saber exatamente o que estava acontecendo, pelos noticiários conseguimos ter a confiança de que em quinze dias tudo voltaria ao normal. No entanto, esses quinze dias se estenderam e se tornaram mais de um ano. Um ano de medo, preocupação, cheio de incertezas e a necessidade de readaptação das atividades que precisavam, de alguma forma, continuar.
Com isso, surgiu a necessidade de iniciar-se o ensino remoto. Assim, este se tornou o momento em que imaginava que conseguiria, finalmente, fugir do dia a dia exaustivo dominado por notícias ruins. No início do ensino remoto, estava animada, pois enxergava-o como a possibilidade de voltar a estudar com os meus colegas e o corpo docente da universidade. Tanto professores como alunos se depararam com um novo mundo virtual, de muitas novidades e, também, dificuldades. Em relação aos professores, digo que executaram com excelência seus trabalhos, sempre muito atenciosos e compreensivos ao momento delicado em que estávamos “presos”.
Com a pandemia e o início do ensino a distância, tive que, assim como todos, me reinventar. Foi um período duro, de muita ansiedade e recaídas depressivas. Estudar, então, se tornou uma tarefa difícil. Abstrair-me do mundo externo parecia impossível.
Em 2019, quando passei no vestibular para cursar Pedagogia, estava extremamente animada e me sentindo pronta para dar esse passo tão significativo em minha vida profissional. Após questões familiares, depositei muita esperança na vida acadêmica e no orgulho por estar em uma Universidade pública e de qualidade como a UERJ. Logo no segundo período, consegui um estágio, o que me deixou realizada com a sensação de que estou no caminho certo. Infelizmente, logo veio a pandemia.
Após meses de aflição, começamos, então, o período remoto e, com isso, iniciei minhas atividades como bolsista voluntária do grupo de pesquisa sobre Educação Inclusiva da própria UERJ. Com o grupo, atuei realizando atendimentos a distância a alunos com necessidades educacionais especiais da rede FAETEC de ensino através de um projeto. Assim, a força de vontade parecia estar voltando enquanto fazia o que mais gostava: ensinar.
Pensava na rotina das aulas presenciais, nas trocas de aprendizados, experiências e afeto entre os corpos docente e discente. A UERJ é um lugar indescritível e quem faz parte é muitíssimo sortudo, apesar de todas as dificuldades enfrentadas.
Apesar da saudade do cotidiano, até mesmo de acordar cedo e utilizar transporte público, a volta das atividades acadêmicas, de maneira remota, começou a se tornar um alívio. Durante a PPP, lamentei não ter podido experienciar esses períodos presencialmente, podendo ter uma participação mais ativa. Infelizmente, como já mencionado, o período remoto foi conturbado e não consegui interagir tanto quanto gostaria. No entanto, os Cafés Biográficos foram momentos com temáticas super pertinentes, responsáveis por muito aprendizado. O primeiro trabalho da disciplina, por sua vez, ainda é o mais marcante, na minha opinião. Poder aprofundar meu conhecimento sobre uma pessoa que tanto admiro, neste caso Nise da Silveira, me instigou a estudar cada vez mais sobre a sujeita, tendo a oportunidade de ir a uma exposição sobre ela, algum tempo depois da atividade. Trabalhos como esse voltaram a despertar minha atenção em relação à graduação.
Contudo, não pude me dedicar o tanto quanto gostaria à vida acadêmica. Precisei buscar trabalhos e bolsas que ajudassem financeiramente a mim e minha família, o que permanece até hoje. A realidade de quem precisa trabalhar e estudar é muito complicada e exaustiva. No entanto, apesar dessas dificuldades, pude me realizar através de algumas atividades e projetos que participei e tentei me manter ativa, mesmo com o cansaço mental e físico.
Confesso que com o conteúdo estudado durante esses períodos e meu foco na biografia de Nise, pretendo seguir esta linha de pesquisa psicossocial com o intuito de trazê-la ao meu dia a dia em sala de aula com meus alunos. Assim como a psiquiatra, acredito na escuta ativa e na liberdade de expressão por meios artísticos e não convencionais como mecanismos muito importantes para a criação de vínculos para, assim, alcançar objetivos definidos.
Por fim, acredito que esta disciplina tenha sido responsável por alimentar a busca por novos aprendizados sobre a importância de preservar arquivos e documentos biográficos e autobiográficos, enfatizando o significado deles para o desenvolvimento de novas pesquisas, com diferentes perspectivas, considerando, em especial, seus valores histórico e social, independente da época ou da região.
Participação na live do Café Biográfico
