Sabryna Mello Alves
Parte 1: É notório o grande impacto que a pandemia ocasionada pelo vírus da Covid-19 provocou em diversos aspectos, tanto nos componentes das instituições de ensino quanto nos outros âmbitos, em geral. O processo de isolamento social e o fechamento das mais diversas empresas e instituições começaram no ano de 2020, mais especificamente, no final do mês de fevereiro e início de março, logo após o feriado do maior evento de nossa cidade: o carnaval.
Recordo que havia se iniciado a primeira semana do semestre letivo na Faculdade de Educação, da UERJ, de modo presencial, e, também, tinha dado início ao estágio como mediadora de uma criança com necessidades especiais na educação infantil, em uma escola do munícipio, no bairro onde moro. Lembro que ao longo daquela semana, antes de surgir o decreto relativo ao adiamento das aulas e ao respectivo isolamento em casa, notícias ao redor do mundo, através dos jornais e da internet, já haviam se espalhado, e a situação, em especial na Europa, já estava crítica.
Eu estava no final do meu expediente, em uma sexta-feira, no início do mês de março, por volta das 16h, quando informações dentro da escola começaram a se espalhar sobre o fato de haver pessoas no Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ, no Fundão, perto do bairro onde eu moro, na Ilha do Governador, já estarem internadas e com sintomas similares ao da Covid-19. No dia seguinte, sábado, eu viajei para a casa do meu avô na região dos Lagos e recebi a informação, através das redes sociais da UERJ e dos grupos de WhatsApp da escola onde eu estava trabalhando, que iria ocorrer o adiamento das aulas por uma semana, com vistas à observação da situação e do andamento dos casos da doença em nosso estado.
Após o término da primeira semana de adiamento, os números de casos começaram a se alastrar cada vez mais e o retorno de modo presencial foi inviável. A escola onde fazia estágio, optou por continuar as aulas de modo remoto, a partir da gravação e elaboração de materiais e atividades feitas em casa, para serem enviadas, aos responsáveis das crianças, através do aplicativo de WhatsApp. Mas esse processo durou poucos dias, por conta da grande indisponibilidade de aparelhos tecnológicos e de dados de internet. A UERJ e, é claro, a Pedagogia, ficou um semestre sem poder dar aulas e atividades, também devido à baixa e precária disponibilidade de tecnologia adequada. Posteriormente, por volta dos meses de agosto e setembro, ainda do ano de 2020, a UERJ e outras universidades lançaram mão do recurso remoto, por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), para dar continuidade ao semestre letivo, disponibilizando, ainda, chips e tablets para estudantes que se encontravam em situação de vulnerabilidade social.
Ademais, mesmo com todos os preparos possíveis e com empatia, a partir do entendimento de que todos os docentes e discentes se encontravam em situação sensível, tanto na saúde física, como no caso de pessoas, parentes e amigos que contraíram a doença, quanto na saúde mental, diversos fatores, muitos atrelados a esses aspectos, dificultaram e ainda dificultam o processo de aproveitamento e de aprendizado ao longo do curso de Pedagogia. Assim como eu, diversos outros componentes da comunidade de ensino, contraíram a doença, passaram ou têm passado por crises financeiras ocasionadas por situação de desemprego. No que concerne a esse último elemento, houve marcas, como a venda do carro da minha mãe, o aluguel de uma casa de praia que possuímos na Região dos Lagos, e o triste fato dos meus pais estarem sem plano de saúde, algo que, antes, nós 4 (eu, meu irmão, minha mãe e meu pai) possuíamos. Foi um impacto e tanto para a gente, pois, querendo ou não, os impactos negativos estabelecidos pela condição financeira permeiam diversas outras estruturas que se relacionam, diretamente, ao bem-estar. Além disso, o fato de mudar a rotina drasticamente, ocasionou mais impactos psicológicos, gerando, sobretudo, crises de ansiedades e físicas. Precisei, necessariamente, cuidar mais das tarefas domésticas, prestar ajuda aos meus familiares e cumprir com minhas obrigações como bolsista de extensão em um grupo de pesquisa. Mas, confesso que, no final, felizmente, eu e minha família conseguimos lidar e amadurecer ainda mais com isso.
Em relação à organização, me preparava para, em pelo menos algum período do dia, assistir e realizar as atividades disponibilizadas pelas disciplinas que eu estava inscrita, mas nem sempre era possível. Precisei, diversas vezes, ajudar meus pais nas questões de trabalho aqui em casa. O período acadêmico remoto, que se iniciou na metade do ano de 2020, ainda não terminou completamente. Este semestre já é o terceiro que estamos realizando de modo parcialmente on-line, não havendo trocas, interações e diálogos de forma mais pessoal, que só é possível no presencial. Penso que, mesmo com diversos empecilhos e com o não-aproveitamento total do curso de Pedagogia, visto que é um curso presencial, o uso de ferramentas tecnológicas e on-line possibilitaram, mesmo que não de modo igualitário, a ampliação de iniciativas, cursos e outras ferramentas que puderam contribuir, um pouco mais, com o nosso processo de conhecimento e transmissão de saberes.
Parte 2: No ano de 2018, mais especificamente no segundo semestre, eu passei, através do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), para a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), mas eu só pensava em entrar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ, visto que sempre foi referência no campo da educação e, em especial, no curso de Pedagogia. Por isso, naquele mesmo ano, prestei o vestibular da UERJ com o intuito de passar no primeiro semestre letivo de 2019 e, felizmente, minhas expectativas foram alcançadas e cresceram ainda mais.
Lembro como se fosse hoje quando recebi o resultado de aprovação na UERJ. Eu estava na casa da minha amiga em Cabo Frio, junto de outros amigos, e recebi a informação de que a Universidade já havia liberado o edital dos classificados, dois dias antes do prazo estipulado. Tem até uma gravação de vídeo da hora em que eu achei meu nome na lista informando que eu, realmente, tinha passado. Foi uma celebração e tanto: meus amigos gritando, pulando junto comigo e ainda saímos para jantar naquele mesmo dia, como forma de comemoração.
Meu semestre letivo se iniciou em fevereiro de 2019, exatamente no período que havia me planejado. Felizmente, consegui cortar as matérias que eu já havia realizado na UNIRIO, o que, de certa forma, acabou me adiantando um pouco. As aulas começavam às 7h e iam até 12:20h e, por isso, eu tinha que ir para o ponto de ônibus da esquina da minha rua por volta das 5:40h. Confesso que, apesar do sono e da demora para me acostumar, visto que quando eu estudava na UNIRIO era no turno da tarde, eu ia bem empolgada e entusiasmada. No final, estudar de manhã e sair da faculdade à tarde, era mil vezes melhor.
No dia da matrícula, eu já havia estabelecido certo contato com a Luiza Pontes, que também cursa esta disciplina. Trocamos mensagens via WhatsApp e, desde o primeiro dia de trote até o início efetivo das aulas, temos mantido contato, fazendo com que nossa amizade cresça cada vez mais. Logo em seguida, na primeira semana de aula, também criamos um forte vínculo com a Yasmin Jansen. Desde então, nos mantemos unidas, seja na realização de trabalho em grupo, na escolha das matérias para puxar, nos cursos de extensão ou qualquer outra atividade. Inclusive, houve um curso de extensão que realizamos juntas, através do Laboratório de Estudos Contemporâneos (LABORE/UERJ), que foi bastante cativante e necessário para a nossa formação como docentes, pois evidenciou questões do cotidiano e de empatia na sala de aula.
Em relação à nossa rotina na UERJ, chegávamos um pouco antes das 7h da manhã e ficávamos assistindo série até o professor do dia iniciar a aula. Às vezes, depois dos primeiros tempos de aula, que terminavam às 8:40h, tomávamos café no 11° andar ou comíamos algo que tivéssemos trazido de casa até entrarmos na aula seguinte. Além disso, em alguns dias, como no caso do curso de extensão que fazíamos no turno da tarde, almoçávamos no bandejão. Algumas vezes, as filas estavam enormes, mas sempre tentávamos chegar o quanto antes para não nos atrasar, principalmente quando o prato principal do dia era strogonoff.
Entretanto, o ano de 2020 se iniciou. Fomos para a UERJ apenas na primeira semana, que ainda tinha aula presencial, já que, na semana seguinte, o processo de isolamento social se iniciou. Confesso que minhas expectativas foram quebradas a partir do momento em que a suspensão de uma semana de aula se tornou um semestre inteiro. Fiquei mais de ano sem ver minhas amigas, os professores e, o principal, sem sequer colocar os pés na UERJ, no 12° andar. Conforme os meses iam se passando e a pandemia parecendo não ter fim (que ainda não terminou totalmente), minha crise de ansiedade aumentava só de pensar na minha precária formação e na futura atuação profissional. Acredito que a volta das aulas, mesmo em formato remoto, pelo AVA, melhorou, um pouco, minhas expectativas, pelo fato de ver o grande esforço que a nossa e tantas outras universidades tiveram para a realização do ensino e para a continuidade da formação.
Em relação aos cursos de extensão, por exemplo, que eu e minhas amigas realizamos em 2019, presencialmente, muitos foram adaptados para o remoto e isso proporcionou ainda mais conhecimento em tempos de pandemia. Inclusive, conclui dois através da plataforma CECIERJ, com carga horária de 30h, por meio dos quais pude dialogar com outros professores e licenciandos. Foi extremamente enriquecedor.
Uma disciplina que, do meu ponto de vista, precisaria da parte prática, para melhor aproveitamento e diálogo, seria a PPP. Considero uma das mais importantes para o processo de formação docente, mas, apesar disso, nosso conteúdo está sendo bastante diversificado, com trocas de experiências incríveis.
Parte 3: Quando iniciou a escolha da PPP, confesso que tive dúvidas de início, visto que seria uma matéria de modo contínuo, de, ao menos, quatro semestres seguidos. Além disso, também tive dúvidas pelo fato de eu considerá-la uma das mais importantes para a nossa formação, em razão de, como já expõe o título, tratar da pesquisa e da prática pedagógica, tão caras à formação docente.
Dentre as opções que tinham, e por eu estudar no turno da manhã, a PPP de Estudos Aplicados foi a que mais me instigou quando houve a reunião de apresentação, pois me remeteu a um tema possível de maior aprofundamento e de oportunidades didáticas em diferentes contextos. Quando o isolamento social começou e surgiu a notícia de que a suspensão de apenas 15 dias de aula, seria, na verdade, um semestre inteiro, a minha maior preocupação, de imediato, foi a respeito desta disciplina. A meu ver, ela se fundamenta como uma das mais importantes para a formação no curso de pedagogia, sobretudo pelo fato de abrir portas para pensarmos sobre a monografia e outros espaços para além da graduação. Por isso, muitas expectativas foram quebradas diante de crises de ansiedade, financeira e “pandêmica”, como um todo, o que resultou em um não-aproveitamento total da disciplina e de tantas outras também. Acredito que, em modelo presencial, nossos debates, discussões e trocas de experiências seriam muito mais proveitosas. Precisei me readaptar, trabalhar de casa e de outros locais, gerando, não somente conflitos de horários, mas também um enorme esgotamento.
Estamos tendo os quatro semestres de modo remoto, mas as atividades desenvolvidas, os vídeos, os filmes, os livros, as lives e o Café Biográfico têm conseguido tornar a disciplina mais ativa e dialógica. A PPP até agora está sendo mediada pela professora e por seus bolsistas de um modo melhor do que eu imaginava. Os integrantes do grupo de pesquisa da professora Ana Mignot nos receberam, e ainda nos recebem, de braços abertos. Tiram nossas dúvidas, são compreensíveis e conduziram várias atividades, inclusive o Café Biográfico, de forma completamente satisfatória e cativante. Eles foram “peças-chave” essenciais para o andamento do curso no âmbito remoto.
Como ponto principal dentre os conteúdos trabalhados, destaco o quanto aprendi sobre a importância de se estudar uma biografia, e percebo sua relevância, ainda mais, ao escrever a nossa autobiografia, com uma mirada sensível à nossa trajetória em formação, mediada por diversas provocações. A PPP começou a me instigar, de fato, faz dois semestres, em meados de fevereiro de 2021, quando a professora Ana Mignot propôs um trabalho no qual tínhamos que escolher a biografia de alguma figura que nos encantasse.
Desde o início, já queria pesquisar uma figura feminina, com vistas a destacar alguma luta pela igualdade de gênero, algo que sempre defendo e priorizo. As dúvidas, então, acabaram quando segui a ideia da professora de pensarmos sobre nome de ruas, de escolas e de outros espaços, pois logo me recordei do nome de uma escola municipal: Anita Garibaldi. Pronto! Foi a partir daí, sem pensar duas vezes, que juntei as ideias e escolhi o sujeito para o trabalho.
Ao ler sua biografia, além de ter me encantado com suas lutas, batalhas e visões feministas, em uma época em que pouco se valorizava essa discussão, pude perceber o quão importante é ter marcas, registros e cartas para que as memórias estejam sempre vivas e presentes, independente de qual década tenha se passado. Cabe destacar que a base documental da biografia de Anita Garibaldi, publicada pela editora Rocco, componente da coleção “Jovens Leitores”, foi constituída de cartas.
Importa mencionar outra atividade que enriqueceu bastante nossa disciplina no semestre passado: o Café Biográfico. Ele foi composto por 11 lives e promovido pelo ProPEd/UERJ. As lives, naquele contexto de pandemia, de crise e de remoto, foram ferramentas de grande importância, as quais possibilitaram acolhimento, empatia e práticas dialógicas que, antes, só eram realizadas de maneira proveitosa no modelo presencial.
Recordo, ainda, que o trabalho final daquele período consistiu em escolher e fazer a resenha de uma live com a qual nos identificássemos. A minha escolha pela mesa “Mulheres, vida e educação” se justifica pelo fato de eu fazer um curso de licenciatura e acreditar no quanto a educação, através da voz feminina, se faz necessária para romper com paradigmas patriarcais. Tenho em minha memória, o quanto a fala de uma das professoras da mesa me instigou. A fala foi a respeito do jornal “Só isso”, elaborado por mulheres escritoras do sistema prisional. A partir do jornal, foi possível observar elementos biográficos dessas mulheres, ao escreverem sobre suas rotinas nos presídios e destacarem, sobretudo, como suas trajetórias eram, muitas vezes, invisibilizadas e desiguais.
Parte 4: Se eu pudesse resumir o que essa PPP provocou na minha formação em duas palavras, elas seriam: desenvolvimento e amadurecimento. Como mencionado, a disciplina Pesquisa e Prática Pedagógica é uma das mais importantes, a meu ver, pois contribui para o processo ao longo e após a nossa formação. Paralelamente, ainda em ambiente remoto, iniciei minhas contribuições como pesquisadora de extensão junto ao GPED/UERJ (Grupo de Pesquisa Educação e Drogas), coordenado pela professora Maria de Lourdes com o apoio do professor Francisco Coelho. Foi a partir daí que meu desenvolvimento e amadurecimento se reafirmaram.
Por um lado, apesar de a minha pesquisa não envolver de modo direto a temática da PPP, por outro, ajudou no meu desenvolvimento de um modo que eu nem imaginava. No grupo, além da produção e publicação de artigos e debates sobre textos de diversos teóricos, eu monitoro oficinas de formação de professores e faço cursos voltados a essa mesma abordagem pela plataforma CECIERJ.
Eu já me perguntei: “ok, mas no que a PPP contribui para a minha trajetória e continuidade em um grupo que aborda o tema das drogas?”; e já me respondi: “as biografias trabalhadas ao longo desses quatro semestres”. Diante da abordagem dialógica que uso para trabalhar com os participantes inscritos nas oficinas que eu monitoro, por exemplo, a base fundamental é a história (autobiografia) do outro. Cabe ouvir, entender, registrar dúvidas e anseios da história do outro, tal como fizemos ao ler as biografias escolhidas no semestre passado (no meu caso, a da Anita Garibaldi). A PPP também ajudou quando ouvimos e assistimos aos diversos relatos concernentes às trajetórias de trabalho dos professores que participaram das lives promovidas no âmbito do Café Biográfico.
Dentre os autores trabalhados por mim, ao longo da minha trajetória no GPED, destaco Adorno e Bakhtin, os quais evidenciam o processo de emancipação do sujeito e o dialogismo no espaço educativo. Os autores, ainda, colocam o sujeito como um ser ativo e protagonista de sua própria história, o que vai ao encontro da abordagem que pretendo seguir na monografia.
Despertei interesse por essa temática quando eu comecei a realizar meu estágio em uma escola municipal e vivenciei algumas dificuldades ao falar de questões da droga na escola e em outros espaços sociais. Ademais, em meu processo formação na educação básica em uma escola particular, ao se falar sobre a questão das drogas, a abordagem era baseada no amedrontamento e no medo, não abrindo espaço para nós, jovens, expressarmos nossas dúvidas e anseios.
Um dos meus orientadores do GPED evidenciou, desde que me conheceu, o grande potencial de produção que eu tinha, até que isso se concretizou e apresentei meu primeiro artigo no 8° Congresso Internacional da ABRAMD. Comecei a desenvolver a escrita do artigo no ano passado (2021), remotamente, através de fontes documentais localizadas nos sites oficiais e nas redes sociais (Facebook e Instagram) de prefeituras. Intentei mapear inciativas pedagógicas dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, que fizessem parte do biênio 2019/2020, separando-as por regiões (norte, noroeste, metropolitana etc.). Busquei, ainda, evidenciar quais prefeituras das respectivas regiões, com o auxílio de suas secretarias de educação e saúde, abordaram alguma inciativa sobre drogas, como, por exemplo, rodas de conversa, palestras, exposições de materiais didáticos e paradidáticos, entre outros, para a comunidade local e/ou educacional.
A base fundamental do GPED é aplicar, na prática, a redução de danos (RD) como forma alternativa à prática proibicionista e de amedrontamento – base que vai ao encontro daquilo que defendo e pretendo levar para os meus trabalhos futuros. Ao fazer o recorte da região norte, por exemplo, descobri que, na grande maioria das iniciativas, o proibicionismo e a não-valorização do outro foram fortemente expressas.
Nesse sentido, na minha monografia, pretendo realizar uma comparação entre duas regiões do estado do Rio (que ainda estou definindo quais serão) através de canais midiáticos, destacando quais iniciativas abordam mais a questão da RD, uma vez que ela favorece a redução de danos à saúde, colocando o sujeito como ser ativo e protagonista de suas próprias escolhas e vivências, entendendo suas particularidades.
Do mesmo modo, pretendo observar, através do meu mapeamento, propostas pedagógicas que possam ser ampliadas, pois acredito que a temática das drogas está mais presente na vida dos sujeitos do que podemos imaginar. Ao desconstruir a visão estereotipada do senso comum, vê-se que as drogas vão muito além da cannabis e do álcool, por exemplo, visto que o açúcar também é uma substância que causa tanta dependência quanto as outras.
Por fim, gostaria de mencionar a palavra “amadurecimento”, que vem definindo a minha trajetória de formação. Amadurecer é, ao mesmo tempo, educar, estar disposto a ouvir o outro ao longo de toda a sua história e trajetória. Amadurecer também é, para mim, ter a capacidade de registrar e olhar para um passado próximo e ter orgulho de quem nos tornamos, ver que, apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas na crise pandêmica, foi possível obter êxito e se fortalecer, tanto no âmbito acadêmico que, no meu caso, se deu através dos trabalhos como pesquisadora, quanto no pessoal e humano.
Referências:
ADORNO, T. W. Educação e emancipação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.
BAKHTIN, M. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rebelais. Editora Hucitec, São Paulo, 1987.
Participação na live do Café Biográfico
