Orientações de Mestrado

2024

RAFAEL BORGES DE OLIVEIRA

“IDE AO BRASIL IMENSO, AO BRASIL CATÓLICO\”: EVANGELIZAR E EDUCAR NA MISSÃO BARNABÍTICA NO NOVO MUNDO (1903-1908)

Este trabalho tem por objetivo interpretar a missão barnabítica no Brasil, de modo a
visibilizar no campo da história da educação a atuação dos Barnabitas no Brasil por meio dos estudos de viagens. Por meio da documentação – cartas, atas, livros de chronicas, relatórios – espalhada e encontrada nos diversos arquivos da ordem – Belém, Rio de Janeiro, Roma e Bélgica – busco apresentar a situação social e política francesa do final do século XIX e início do século XX, que levou os religiosos a optarem pelo Brasil como lugar de missão. Mas antes, devido a ausência de produções acadêmicas sobre a ordem, primeiramente ofereço ao leitor,
alguns elementos que ajudarão a melhor conhecer a vida e os contextos nos quais estes primeiros missionários/viajantes estavam inseridos. Em seguida por meio dos diários de bordo, analiso o desenrolar da viagem, isso significa interpretar a travessia, a chegada ao Brasil e as impressões e denuncias realizadas pelos religiosos em suas escritas. Por fim, busco discutir e interpretar a atuação dos religiosos na formação do clero do Pará, além das disputas de poder ocorridas na diocese de Belém. A fim de melhor definir a pesquisa, o recorte temporal escolhido
situa-se entre os anos de 1901 (ano em que a França cria a Lei Anticlerical, dando início à perseguição e culminando com a expulsão das ordens religiosas) e se amplia até 1908 (ano em que, após terem cumprido um excelente trabalho no Seminário de Belém com a chegada no novo Arcebispo do Pará, Dom Santino, os religiosos rescindem o contrato, pondo fim a sua atuação na formação do clero de Belém). Palavras-chave: Barnabitas. Viagens. Romanização. Formação do Clero.

2021

MÔNICA DE LIMA BOLSONI

O DIÁRIO DE BORDO COMO POÉTICA DE ( RE) CONHECIMENTO DE SI: REVISITANDO UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ARTES VISUAIS

A dissertação revisita uma experiência pedagógica e para tal feito analisa os diários de bordo produzidos pelos licenciandos em Artes Visuais durante o período de seus estágios supervisionados no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAp UERJ. Constituem-se como objetos/fontes 50 diários que abarcam as três disciplinas de estágiosupervisionado em artes (CAP) -, I, II e III entre os anos de 2 012 a 2019. O estudo foca nos aspectos da materialidade desses suportes na sua inter-relação com escritas de si, memória e experiência formativa na aprendizagem da docência; do próprio suporte como apreensão e discussão da escrita como prática cultural; da fertilidade das narrativas como processo de formação e autoformação. A metodologia da abordagem autobiográfica se apresenta como
perspectiva epistemológica sobre o modo de aprender a partir da própria experiência dos próprios sujeitos, entendida como narrativas que descrevem e refletem sobre vivências anteriores, anseios, dilemas, dúvidas, medos, incertezas, ideias, conquistas e projetos de vir a ser professor. O trabalho consiste em analisar e interpretar as narrativas nos seus discursos visuais e textuais no processo de formação enquanto tomada de consciência e exercício reflexivo de autoformação, ou seja, (re) conhecimento de si. A dissertação conclui que a experiência de se produzir um suporte artesanal contribui para o exercício da alteridade, da construção identitária do futuro professor, isso porque a escrita autobiográfica permite encontrar a memória para refletir sobre o passado, construir o futuro e possibilita conferir sentidos sobre todas as experiências formadoras do sujeito. Palavras-chave: Diários de bordo. Estágio supervisionado. Narrativas de formação. Abordagem
autobiográfica. Campo de estágio. Memória. Historiografia da educação.

2020

DAISE SILVA DOS SANTOS

MAIS DO QUE LER MIL LIVROS: OS SIGNIFICADOS DA VIAGEM À EUROPA NA TRAJETÓRIA DE FRANCISCO LINS (1911-1917)

2017

PRISCILA DE
ARAUJO GARCEZ

A FÉ PELAS PALAVRAS: TRAJETÓRIA DE JUDITH TRANJAN NA EDUCAÇÃO METODISTA

Este estudo tem o objetivo de interpretar a trajetória de Judith Tranjan na educação metodista, em âmbito eclesial. Por meio de suas narrativas e textos escritos, em impressos religiosos, busco apresentar a biografia de Judith nos diferentes espaços por onde atuou: como discente e docente do Instituto de Educação, na Escola Dominical, lecionando e escrevendo para crianças e professores e, como autora de textos para o público feminino. O recorte inicial escolhido tem como marco, o ingresso de Judith no Instituto de Educação (localizado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal), em 1932 e se amplia até 1968, ano que aponta para o seu último artigo na Igreja Metodista. Por meio de suas palavras narradas e escritas, busco vestígios que indicam a presença de Judith Tranjan no espaço público religioso e que possam evidenciar sua história no metodismo. A projeção que teve na igreja representa, também, a história de diversas mulheres que não integraram os ícones protestantes. Nessa perspectiva, as questões colocadas são: qual o lugar ocupado por Judith Tranjan na educação metodista? De que forma seus textos refletiram o pensamento sobre educação nas igrejas da época? Na tentativa de responder às indagações apresentadas, no primeiro capítulo situo Judith Tranjan entre as demais mulheres protestantes que, por meio do acesso à escolarização, puderam exercer funções dentro e fora das igrejas; algumas, com notável projeção no espaço público. Em seguida, apresento as suas memórias como normalista e docente do Instituto de Educação, além da participação, como colaboradora, do impresso Compêndios de Ensino Religioso – Jesus, o melhor amigo, editado em 1949, pela Confederação Evangélica do Brasil, para o Ensino Religioso nas escolas primárias e adotado pelo Instituto de Educação, no mesmo ano. No segundo capítulo, perscruto os textos que Judith escreveu para dois impressos protestantes: a Revista do Curso Intermediário da Escola Dominical e a Revista do Professor da Escola Dominical, ambas escritas entre 1949 e 1951, também editadas pela Confederação Evangélica do Brasil,a fim de apontar práticas pedagógicas desenvolvidas por Judith, para além do espaço escolar, relacionadas à docência que exerceu na Escola Dominical da Igreja Metodista de Vila Isabel e à formação técnica e teológica dos professores que atuariam nesta mesma agência de ensino. Alguns pressupostos escolanovistas, aprendidos por Judith no Instituto de Educação, foram incorporados às lições que prescreveu nos dois impressos expostos. No terceiro capítulo, as palavras de Judith Tranjan relacionam-se às representações do feminino, pregadas pelos protestantes, particularmente os metodistas. Dessa forma, os artigos escritos por Judith, para a revista Voz Missionária, apontam o lar, como espaço prevalecente de atuação das mulheres, com temáticas sobre casamento, família e maternidade, demonstrando, de certo modo, um pouco da história de si mesma. Assim, estudar a trajetória de Judith Tranjan, na educação metodista, constitui uma possibilidade de contribuir para legitimar a sua voz e de tantas outras mulheres que permaneceram caladas ou invisibilizadas na historiografia protestante.

SHAYENNE
SCHNEIDER SILVA

MESTRE DAS PALAVRAS: MISSÃO EDUCATIVA DE COELHO NETTO NA POLÍTICA, NA IMPRENSA E NAS ESCOLAS

Interpretar a importância da educação, no discurso e na prática de Henrique Maximiano Coelho Netto, através dos múltiplos espaços transitados por este mestre – política, imprensa e escolas – é o objetivo do presente estudo. O discurso dele promovido na inauguração de uma escola de teatro me despertou um novo olhar sobre sua atuação no magistério, onde defendeu que ‘é na escola que o povo transforma-se em nação’. Em meio a turbulentas disputas políticas e sociais da época, Coelho Netto lecionou no Ginásio de Campinas (1901- 1904), no Ginásio Nacional (Colégio Pedro II) (1907 – 1909) e na Escola Dramática (Escola de Teatro Martins Pena) (1911 – 1934), da qual foi mais tarde diretor. Além disso, conseguiu um cargo de Secretário do Governo do Estado do Rio de Janeiro (1890 – 1891), Deputado Federal do Maranhão (1909 – 1917), Secretário Geral da Liga da Defesa Nacional (1919) e presidente da Academia Brasileira de Letras (1926) – instituição essa da qual participou da fundação, em 1897. Com a sua morte, em 1934, deixou extensa produção literária, dentre elas, livros, artigos em periódicos, peças de teatros, discursos (alguns em livros), conferências, crônicas, historinhas para crianças, cartas, relatório, etc. Debruçar-me em tais fontes, localizadas dispersamente nos acervos da Fundação Biblioteca Nacional (FBN/ RJ), da Academia Brasileira de Letras (ABL), do Arquivo Nacional, da Fundação Casa de Rui Barbosa e do Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II (NUDOM), possibilitou que chegasse, através de escrituras e imagens, ao autor e à sua contribuição para a educação. Para tal, precisei dialogar com estudos sobre a política da época, a história do país, especificamente da cidade do Rio de Janeiro na Primeira República, a questão da identidade nacional – alicerçada em Nagle (1974) e José Murilo de Carvalho (1990); sobre crônicas, periódicos, livros e editores(as) do Brasil – embasado em Chalhoub, Neves e Pereira (2005), Mignot (2010), Hallewell (2005); como, também, sobre as referidas escolas e a cultura escrita – devido às fontes utilizadas serem cartas, atas de colégios, livros e biografias. Ao se voltar para a presença de Coelho Netto na cena educacional, esta investigação, de certo modo, pretende contribuir para romper com o esquecimento ao qual foi relegado na historiografia da educação brasileira, que, diferentemente de outras áreas de conhecimento como Artes Cênicas, História Social e Letras, ainda não se dedicou a explorar a importância da educação no discurso do escritor.

2016

ANAISE CRISTINA DA
SILVA NASCIMENTO

PELA CARAVANA DA FRATERNIDADE : UNIFICAÇÃO DO MOVIMENTO ESPÍRITA NAS MEMÓRIAS DO EDUCADOR LEOPOLDO MACHADO.

2014

LEILA DE MACEDO
VARELA BLANCO

CONVOCANDO OUTRAS VOZES: A TRAJETÓRIA DE MARIA THEREZINHA MACHADO NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.

A trajetória da professora Maria Therezinha Machado protagoniza a história da Educação Especial no sistema educacional da cidade do Rio de Janeiro. Este estudo tem o objetivo de contribuir, por meio de narrativas e memórias desta biografia, para análise e reflexão sobre as preocupações com a formação, a docência e a Educação Especial. O recorte temporal escolhido tem como marco inicial a criação da Seção de Educação Especial da Secretaria de Educação e Cultura do estado da Guanabara em 1961 e se estende até 1983. A coleção de entrevistas autobiográficas de antigas professoras que participaram da implantação da educação especial no antigo estado da Guanabara foram as fontes privilegiadas para construção dos dados. O estudo das memórias como perspectiva que legitima as vozes que contam de si e de outros favoreceu a compreensão do período, permitindo problematizar aspectos naturalizados dessa história escolar. Foi necessário o diálogo com autores que discutem a representação da educação especial na história política e social e com aqueles que teorizam sobre docência e formação. Algumas publicações de Therezinha Machado foram incorporadas ao estudo pelo aspecto formativo que apresentam. Esse trabalho, portanto, representa a tentativa de buscar, na história desta professora, a história de muitos. Dessa forma, busca compreender a educação especial da cidade do Rio de Janeiro e as marcas que são reveladas na constituição do presente e no que é possível intuir para o futuro. O trabalho pretende trazer subsídios para as reflexões sobre os rumos da Educação Especial nesta cidade.

2012

MARCELO GOMES DA SILVA

“POR MEIO DA RESISTÊNCIA”: PROCESSO DE PROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE NO MANIFESTO “AO PROFESSORADO DE MINAS” (1900)

Examinar o Manifesto ‘Ao Professorado de Minas’ publicado no Jornal do Commercio em fins de 1900 consiste no horizonte deste trabalho. Este esforço significou pensar a participação dos professores, bem como suas ações, atuações e reações, anteriores e posteriores à produção do Manifesto, como constituintes do processo de profissionalização docente. Endereçado ‘Ao Professorado de Minas’, tinha como teor principal o apelo pela união. Traçou-se uma discussão sobre o seu conteúdo, a partir de questões emergentes do texto, como a menção a criação de uma associação docente. Somado a isso, procurou-se entender as condições de trabalho dos professores signatários e dos não partícipes do documento, no sentido de perceber as normatizações a que estavam sujeitos, na tentativa de elucidar o que significava ser professor naquele momento e que poderia ter incentivado a produção do Manifesto. Buscou-se, ainda, construir a trajetória dos quatro signatários a partir das relações que possuíam na cidade de Juiz de Fora, os espaços que frequentavam e os cargos ocupados por eles antes e depois da publicação do Manifesto. Para isso, foi preciso perceber a presença dos quatro professores em um conjunto documental variado e disperso, o que empreendeu um esforço de cruzamento das fontes, e possibilitou esboçar a trajetória desses sujeitos a partir dos lugares ocupados por eles. Por fim, empreendeu-se um movimento de reflexão sobre o público a que o Manifesto se destinava, no caso, os professores. Percebeu-se um universo de atuação desses sujeitos na cidade a partir de queixas e solicitações, assim como, de pessoas que não atuavam na profissão docente, mas que reconheciam a importância dos professores e da instrução pública, a exemplo de moradores. Utilizou-se de fontes como o Jornal do Commercio e o Correio de Minas, importantes periódicos mineiros. A trajetória dos professores foi construída a partir dos requerimentos, correspondências de professores com a Câmara Municipal, relatórios de inspetores escolares e abaixo assinados de moradores. O estudo concluiu que as ações, reações e as diversas formas de agir dos professores, inclusive o Manifesto, se constituíram como um movimento importante do processo de profissionalização da docência e do fazer-se da categoria. Pretende contribuir, deste modo, para o campo da História da Educação, incorporando-se aos estudos que tratam do estatuto da profissão docente.

2011

DAIANE DE
OLIVEIRA TAVARES

ESCRITAS ENCARCERADAS: REPRESENTAÇÕES DO UNIVERSO PRISIONAL FEMININO NAS PÁGINAS DO JORNAL DA PENITENCIÁRIA TALAVERA BRUCE.

O jornal da Penitenciária Feminina Talavera Bruce, intitulado Só Isso!, produzido no período de 2004 a 2008, constitui objeto e fonte privilegiada nesta dissertação. Na análise do impresso, a metodologia de pesquisa esteve centrada na produção, circulação e recepção do referido jornal, buscando refletir sobre os possíveis sentidos constituídos nas escritas das apenadas, para uma melhor compreensão das práticas cotidianas dessas mulheres, principalmente, no que tange a uma realidade tão específica, fazendo emergir o registro de um modo de vida tão particular. Nesse sentido, busquei compreender o impresso pesquisado em seus destinos e representações mergulhando em nuances e particularidades que o tema comporta, buscando o universo de significados, isto é, a possibilidade de entendimento acerca das relações estabelecidas por esses sujeitos privados liberdade com a escrita na prisão, o que permitiu perceber quem são apenadas, como expressam suas sensibilidades e subjetividades, como vivem, por que escrevem e quais dificuldades enfrentam. Para analisar esse periódico, aproximei-me de fundamentos e de metodologia vinculados à História da Cultura Escrita e também de autores que auxiliaram a problematizar as questões voltadas para as vicissitudes do encarceramento feminino. Sendo assim, a interpretação desenvolvida está alicerçada em autores que apontam e problematizam a importância de compreender a escrita e o seu suporte, estudiosos que discutem as escritas em espaços de confinamento que, via de regra, procuram ocupar o tempo, experimentar a liberdade ou burlar a solidão, além de pesquisadores que ajudam a pensar a escrita de si e suas representações, e outros voltados para a História da Educação que pensam e discutem a importância do impresso enquanto fonte de pesquisa. Tendo em vista o fato desse tema ter uma fronteira tênue entre os campos de pesquisa, dialogo também com antropólogos e sociólogos que trazem dados sistematizados sobre o universo prisional e auxiliam na sua compreensão. O trabalho de pesquisa sobre jornal, representou, portanto, compreender um pouco mais sobre a realidade das mulheres privadas de liberdade, valorizando a escrita oriunda de um contexto em que os rigorosos meios de controle utilizados pela instituição penitenciária acabam por desumanizar os sujeitos apenados. Desta forma, o direito ao ato de escrita e leitura na prisão, torna-se revestido de uma função social e educativa fundamental para a sobrevivência no cárcere. A tentativa dessa pesquisa é, de alguma forma, trazer contribuições que possam refletir em garantia de direitos e oportunidades, possibilitando aos sujeitos encarcerados dignidade e melhores condições de vida.

HELOISA HELENA
MEIRELLES DOS SANTOS

CONGREGAÇÃO DA ESCOLA NORMAL: DA LEGITIMIDADE OUTORGADA À LEGITIMIDADE (RE)CONQUISTADA (1880-1910)

Investigar a forma como a Congregação da Escola Normal se legitimou no cenário político-educacional nos últimos anos do século XIX e nos primeiros anos do século XX é o objetivo de meu estudo. Surgida no Regulamento de criação da Escola Normal a Congregação, era composta pelos professores da instituição que ministravam aulas no curso de formação de professores para as escolas públicas primárias da cidade do Rio de Janeiro. Estes professores eram intelectuais de procedências diversas, com experiência educacional, que se reuniam em sessões, sob a presidência e convite do Diretor da Escola Normal. A legitimação da Congregação foi conquistada pelo Regulamento de 1880, outorgado pelo Governo Imperial e, face ao trabalho e experiência dos congregados à frente desta instituição durante todo um ano, foi-lhes conferido ainda mais poder político, pela elaboração de um novo Regulamento para a Escola Normal, criando-se, então, um grupo diferenciado formado no campo intelectual, pelo conhecimento da formação de professores primários. A Congregação foi extinta em 1888. (Re) conquistando a legitimidade foi criado o Regulamento de 1890, elaborado por Benjamin Constant Botelho de Magalhães, ex- congregado, ex- presidente da Congregação por cinco anos consecutivos e na República ocupando o cargo de Ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos. Esta pesquisa foi instigada por alguns documentos, ainda não investigados, do Centro de Memória Institucional do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, que possibilitaram conhecer a ação política- educacional desses intelectuais da Congregação. Tais fontes, confrontadas com outras de várias instituições de guarda de memória, possibilitaram uma visão não só da ação dos congregados, como de sua rede de sociabilidade dentro e fora da Escola Normal, assim como sua procedência, as estratégias utilizadas como instrumento político e o papel de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, líder mais antigo deste grupo. A intervenção política da Congregação, advinda do trabalho realizado na Escola Normal, possibilitou que criassem uma autoimagem de executores do processo civilizador em curso no final do Império e início da República. Os embates travados por este grupo mostram a defesa intransigente da legitimação e o uso de instrumentos próprios da intelectualidade para não perdê-la outra vez.

2008

Glaucia Diniz
Marques

CARTAS EM TEMPOS DE GUERRA: UMA MISSÃO CÍVICO-PATRIÓTICA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO (1942-1945)

Examinar as atividades empreendidas pela Associação Brasileira de Educação (ABE) durante o período da Segunda Guerra Mundial, em função dos combatentes aquartelados em Fernando de Noronha, a fim de compreender a relação dessas atividades com o movimento cívico-patriótico presente na entidade desde sua criação, é o objetivo dessa dissertação. Para tanto, foi examinado o dossiê Esforço de Guerra, preservado na ABE, e em especial, a correspondência enviada e recebida, entre 1942 e 1945.

Rosa Maria Souza Braga

CALIGRAFIA EM PAUTA: A LEGITIMAÇÃO DE ORMINDA MARQUES NO CAMPO EDUCACIONAL.

Analisar o processo de legitimação no campo educacional da professora Orminda Isabel Marques – autora da coleção de cadernos de caligrafia Escrita brasileira e do livro A escrita na escola primária publicado na coleção Bibliotheca de Educação – é o objetivo desta dissertação, na qual procurei compreender o seu percurso profissional. Trata-se de um estudo biográfico que, diferentemente de outros, tem como fonte privilegiada as escritas ordinárias produzidas em sua maioria no âmbito escolar, tais como o livro de correspondências da Escola Primária do Instituto de Educação, os livros elaborados pelas alunas da educadora em 1939 e a coleção de cadernos de caligrafia, buscando em cada um deles vestígios que indiquem os modos como compreendeu a educação, o magistério e a escrita. Estruturado em três capítulos, primeiramente, aborda a atuação da educadora como diretora da Escola Primária do Instituto de Educação. No segundo momento, analisa as suas motivações para ingressar no magistério, bem como sua iniciação na docência e os trabalhos desenvolvidos nas disciplinas de Prática de Ensino e de Leitura e Linguagem no curso de formação de professores do Instituto de Educação e, por fim, examina trabalhos de sua autoria: livros, artigos e coleção de cadernos, nos quais divulgava o seu método denominado caligrafia muscular.

2007

PATRÍCIA COELHO DA COSTA

A VOZ DO MESTRE: TRAJETÓRIA INTELECTUAL DE CARLOS DELGADO DE CARVALHO

Construir a trajetória intelectual de Carlos Delgado de Carvalho (1884 – 1980) foi o objetivo deste trabalho. Educado na Europa, onde se doutorou em Diplomática pela Escola de Ciências Políticas de Paris, chegou ao Brasil em 1906, quando passou a divulgar através de seus livros e artigos publicados na imprensa, conhecimentos de geografia, sociologia e história que contribuíram para a organização do nosso campo científico. Como educador desempenhou importante papel: desenvolveu novos métodos para estas disciplinas, o que se constituiu numa ruptura. Participou de movimentos pela melhoria do nosso sistema educacional, sendo um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. A elaboração de tal estudo exigiu a localização, classificação e interpretação de fontes diversas tais como cartas, ofícios, manuscritos e publicações, disponíveis não só no arquivo pessoal preservado pela família, como nos arquivos do Colégio Pedro II, do Instituto de Educação, do IBGE, no CPDOC, na Biblioteca Nacional e na Biblioteca Regional da Glória. A pesquisa foi estruturada em três capítulos, nos quais são analisadas inicialmente as estratégias por ele utilizadas para conquista do seu reconhecimento como voz autorizada, em seguida a sua consagração e, por fim, as estratégias de conservação do capital científico construído. O presente trabalho pretende contribuir não só para os estudos da memória deste intelectual, mas para ampliar a compreensão do papel dos educadores na história das disciplinas escolares e no processo de institucionalização das ciências sociais no Brasil.

2006

Andrea Soares
Caruso

“TRAÇO DE UNIÃO” COMO VITRINE: EDUCAÇÃO FEMININA, IDEÁRIO CATÓLICO E PRÁTICAS ESCOLANOVISTAS NO PERÍODO DO COLÉGIO JACOBINA.

Examinar como Traço de União, periódico do Colégio Jacobina – que circulou entre 1908 e 1981 -, constituiu-se um espaço privilegiado para disseminação de um modelo de educação feminina, do ideário católico e de práticas pedagógicas inovadoras é o objetivo dessa dissertação. Trata-se de uma pesquisa que se inscreve nas preocupações fundamentadas em estudos sobre Escola Nova, educação católica e imprensa periódica escolar. Estrutarada em três capítulos, aborda, inicialmente, as fases do periódico a partir do mapeamento de sua periodicidade; traça a biografia das responsáveis pelo mesmo, visando a compreender crenças e valores que perpassam o impresso; e , por fim, analisa temas que, pautados nas representações que emergiam, desde o início do século XX, relativas ao papel da mulher na construção da nação, foram tratados por ex-alunas, oradores das cerimônias de formatura e colaboradoras da seção destinada ao Curso de Educadoras da Infância. Pretende-se com essa investigação contribuir para ampliar a compreensão sobre os periódicos editados por escolasa católicas femininas numa perspectiva histórica.

Larissa Frossard Rangel Cruz

MOSAICO DE UMA VIDA: ESTRTÉGIAS DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA NO ARQUIVO PESSOAL DE ANTONIO ALVAREZ PARADA.

O professor, escritor e historiador Antonio Alvarez Parada (1925 – 1986) organizou um expressivo arquivo que se conserva em seu antigo gabinete, na casa onde residia, em Macaé. O objetivo desta pesquisa é compreender a trajetória que se expressa na trama deste arquivo, interrogando-o a partir da perspectiva histórica. Neste sentido, pretende-se examinar como, ao constituir este arquivo, seu titular construiu uma memória de si e compôs, a partir de sua produção intelectual, uma memória sobre sua terra natal. Sua esposa, ao guardar e preservar os testemunhos evocativos de suas obras e realizações deu continuidade às suas práticas de arquivamento, organizando os discursos produzidos pela imprensa após a sua morte. Este conjunto de documentos tomou-se fundamental para entender como se constrói a memória sobre alguém que pensava a sociedade por meio da imprensa, da publicação de livros e da atuação em espaços educacionais e literários. A lógica de constituição desse arquivo pareceu-me consistir em produzir e guardar registros que servissem de suporte para revelar sua maneira de constituir-se, solidificando sua imagem, desenhada como um mosaico, na medida em que apresenta diversas dimensões de sua trajetória. O presente trabalho pretende contribuir para os estudos sobre memória e arquivos pessoais e, conseqüentemente para todos que se interessem pela História, pela História da Educação e, particularmente pela História de Macaé.

2005

Suzana Brunet
Camacho

CADERNOS DE SEGREDOS: MARCAS DA EDUCAÇÃO CATÓLICA NA ESCRITA ÍNTIMA

Esta dissertação teve por objetivo examinar as marcas da educação católica na escrita íntima e, para tanto, elegeu como fonte privilegiada de análise os diários de uma normalista que estudou, na década de 1960, em Duque de Caxias, na Escola Normal do Colégio Santo Antonio – instituição de origem alemã, fundada em 1940, pelas freiras franciscanas de Dilligen. Entendendo que esta é uma das práticas comuns de escrita entre jovens de determinadas gerações, buscou-se dialogar com pesquisas realizadas no âmbito da História da Cultura Escrita, da Licenciatura e da História da educação, que se têm dedicado à escrita íntima, à escrita escolar e a escrita de jovens. Estruturada em três capítulos, inicialmente pretendeu examinar a importância desse tipo de fonte para as pesquisas voltadas aos saberes e fazeres anônimos. Um segundo movimento do texto priorizou a presença da escrita na congregação religiosa e na escola católica, buscando compreender a importância atribuída pela instituição à escrita íntima na formação das futuras professoras. Finalmente, no último capítulo, a análise se deteve nas práticas de leitura de romances de formação, de livros religiosos e de literatura pedagógica, que procuravam moldar a mulher católica e a professora na nobre missão de ensinar. O estudo – que pretende contribuir para ampliar a compreensão sobre a formação de professores e a cultura jovem, em perspectiva histórica – revela como a escrita íntima, juntamente com as práticas religiosas e as de leitura, contribuiu para a formação moral da futura professora. Elas foram alvo de disciplinarização e de mecanismos que permitiriam o autocontrole, o auto-exame e o julgamento das próprias condutas. A valorização de tais práticas reflete a preocupação dessa escola com a construção da mulher cristã de acordo com os valores do catolicismo.

2004

Bárbara Trindade Rocha

CARTAS EM REVISTA: ESTRATÉGIAS EDITORIAIS DE DIFUSÃO E LEGITIMAÇÃO DA NOVA ESCOLA

Este estudo analisa as 150 cartas das professoras de educação infantil publicadas na Revista Nova Escola, de 1988 a 1996, com a intenção de apreender a forma como se estabelece a legitimação do periódico, tentando perceber também as outras estratégias de difusão da revista, examinando suas capas, suas disposições tipográficas e suas propagandas. Quem são essas professoras que escrevem as cartas para a revista? Quais são as motivações para a escrita? Sobre o que elas escrevem? Qual o contexto de produção dessas cartas? Estas são as questões que orientam este trabalho. Considerando as cartas como documentos que foram produzidos numa determinada época, mas que também revelam uma época, este estudo pretende compreender como a correspondência de pessoas comuns pode conter engenhosidades em seus assuntos, iluminar hábitos, práticas e valores partilhados e construir representações da escola, ajudando a compor a memória histórica narrada pelos principais autores do cotidiano das escolas.

Elaine Constant
Pereira de Souza

HISTÓRIAS PEDAGÓGICAS: A INVENÇÃO CURRICULAR COTIDIANA NO DIÁRIO PROFISSIONAL

Esta pesquisa visou a investigar a criação de práticas curriculares a partir do processo de adesão ou recusa de professores a novas propostas na rede pública municipal do Rio de Janeiro. Para a análise da cotidianidade escolar, recorro a um diário profissional escrito desde o ano de 2000, privilegiando as práticas docentes realizadas nesse momento de transição.
Como fonte de estudo, esse diário permitiu examinar como os princípios teóricos apresentados nos currículos oficiais não se configuram necessariamente vivência nas salas de aulas, pois o fazer cotidiano implica reinterpretações curriculares, assim como reinvenções pedagógicas oriundas das possibilidades de ação diante de um novo desafio na docência.
Esta pesquisa se inscreve na perspectiva dos estudos que se voltam ao exame das práticas docentes e se baseia nas investigações sobre currículo, cotidiano e cultura escrita. Busca contribuir para a ampliação do debate sobre cultura docente e importância dos registros de professores como fonte privilegiada para o entendimento dos processos curriculares.

Fátima Bitencourt David

HISTÓRIAS DE PROFESSORAS: PRÁTICAS, ALTERNATIVAS E DISPUTAS POLÍTICAS EM DUQUE DE CAXIAS

O objetivo da pesquisa foi investigar a atuação das professoras da rede pública municipal de ensino e das professoras militantes sindicais que atuam em Duque de Caxias e que vêm se contrapondo à implementação da política oficial de ensino, buscando assim, compreender como essas experiências pedagógicas e sindicais têm contribuído para a formação de uma nova cultura política. Foram analisadas propostas, alternativas e disputas políticas, na cidade, no campo educacional, no período de 1997-2002. Para tanto, lançamos mão do acervo documental produzido pela Secretaria Municipal de Educação, Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação/Núcleo Duque de Caxias e Escola Municipal Barro Branco, além de testemunhos orais das professoras e militantes sindicais. O estudo pretendeu, assim, contribuir não só para ampliar o conhecimento sobre as políticas públicas implementadas na Baixada Fluminense, como também enriquecer a discussão sobre a importância de se considerar a experiência docente na formulação de reformas educacionais que se pretendem inovadoras.

2002

Antônia Simone
Coelho Gomes

TEMPLO DO SABER: A CONSAGRAÇÃO DA ESCOLA ESTADUAL MELO VIANA EM CARANGOLA – MINAS GERAIS

Compreender o processo de consagração da Escola Estadual Melo Viana, na cidade de Carangola, é o objetivo desta pesquisa. Para examinar o lugar de destaque que a escola assumiu no cenário educacional, a partir de 1925, privilegiou-se a análise do projeto arquitetônico, tomado como espaço de relações políticas e socias, dos sentidos conferidos aos objetos escolares expostos no salão nobre como troféus, do mobiliário, quadros e galeria de fotos, que traduzem práticas pedagógicas que ultrapassavam as fronteiras da sala de aula. Analisam-se, ainda, as múltiplas apropriações e transmissões de saberes que se expressam na escrita escolar. Inscrevendo-se na perspectiva dos estudos que voltam para examinar a implantação dos grupos escolares mineiros e nos estudos sobre cultura escrita, pretende-se contribuir para ampliar a compreensão sobre a cultura escolar, apontando para a importância da preservação da memória escolar produzida por alunos e professores, encarada como fonte privilegiada para a História da Educação.