As fotografias ocupam um lugar especial no arquivo de Armanda Álvaro Alberto – professora, precursora no país da adoção dos ideais montessorianos em educação, numa experiência ao ar livre, em Angra dos Reis, em 1919, diretora da Escola Regional de Meriti, criada em 1921, em Duque de Caxias, fundadora da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924, signatária do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, prisioneira política em 1936/37.
Avulsas, agrupadas, dentro de envelopes, envoltas em papel de seda, acondicionadas em álbuns, divulgadas na imprensa, publicadas em seu livro, as fotos oferecem uma visão geral de sua história de vida. Assim como outros objetos autobiográficos – cartas, relatórios escolares, livros de ouro, livros-caixa, bilhetinhos, textos inéditos, cadernetas de anotações, álbuns de recortes de jornais – sinalizam rotas, desvios, metamorfoses de sua trajetória.
Artifícios inventados para fixar a memória, evitar o esquecimento, garantir um lugar na posteridade, as fotografias evidenciam o lugar social daquela que acumulou fragmentos da vida em pedaços de papel. Eternizam momentos significativos. Revelam espaços de atuação. Documentam a experiência. Exacerbam os traços distintivos da prática pedagógica. Desvelam estratégias adotadas para que a voz feminina se fizesse ouvir no debate educacional. Inscrevem sua presença na história de seu tempo.
Resultam de uma tentativa de contar sua própria história. Anotadas ou legendadas, os pequenos textos que acompanham as fotografias guiam o olhar do observador para o que deve ser armazenado, retido, valorizado. Preservadas como objetos-relíquia expressam a tentativa de legar uma dada imagem que tinha de si mesma, do trabalho que desenvolvia, da importância que desempenhou em movimentos de renovação educacional e democratização do país.
Expostas aqui, resultam também de um processo de seleção repleto de lacunas, omissões e silêncios. Indicam apenas um esforço para contar a história de uma educadora iluminando o percurso de legitimação da mulher na trama da história e da história da educação brasileira. Como toda a trajetória, a de Armanda Álvaro Alberto não pode ser inteiramente contada. Certa vez, agradecendo uma homenagem, ela disse:
Não sei ao que agradecer primeiro nesse momento. (…) Pedaços de vida vividos (…) ressurgem aqui diante de nossos olhos embelezados em suas proporções e coloridos, estilizados de tal forma que nos perguntamos intimamente: terei sido aquela que ali está? Seja como for, agradeço esta meia hora de tão doce ilusão (…)
Ana Chrystina Mignot
UERJ sem muros/Rio de Janeiro,
outubro de 1998











