Da solidão ao crescimento pessoal: formação acadêmica e a crise humanitária

Camila Rodrigues Nunes

O impacto da pandemia

Desde março de 2020, o Brasil enfrenta um grande problema, que afetou todo o mundo: cerca de 48 milhões de estudantes deixaram de ir à escola e de frequentar as atividades presenciais como maneira de prevenir a propagação da Covid-19 (Coronavírus). No entanto, desde dezembro de 2019, já circulavam, nas redes sociais, notícias sobre uma doença vinda da China que tinha o risco de se espalhar para a Europa, mas não para o Brasil, na América do Sul. Lembro-me de estar na UERJ, no 12° andar, para ser mais precisa, quando eu e minhas amigas comentávamos sobre a notícia. As aulas haviam acabado de voltar e estávamos com grandes expectativas para iniciar o 3° período. Contudo, na mesma semana, surgiu a notícia de que a doença havia chegado ao país e que as aulas seriam suspensas por pouco tempo. Todas ficamos assustadas e com medo do que poderia acontecer, mas com esperança de que tudo isso não fosse passar dos 15 dias prometidos pela prefeitura. Infelizmente, não foi assim.

Nesse contexto, iniciou-se um período de isolamento social, de modo que, por mais de 6 meses, muitos deixaram de ver amigos, parentes, colegas de trabalho, assim como deixaram de frequentar igrejas, festas, parques, shoppings, entre outros. Entretanto, embora muitos tenham respeitado esse período, outros ignoraram os decretos e continuaram a se aglomerar, contribuindo com a propagação do vírus. Enquanto aguardávamos ansiosos em nossas casas por mais informações acerca do vírus, sentíamos o desespero pelo desconhecido. Nada se sabia sobre a Covid-19 e muitas dúvidas pairavam no ar, de maneira que minha vida mudou completamente desde o momento em que as aulas foram suspensas.

Tudo mudou, até a rotina que tinha aos domingos. Os cultos foram suspensos por semanas, até passarem a gravar lives somente com a equipe de louvor, o pastor e alguns integrantes do grupo, mantendo a igreja aberta e preservando o distanciamento. Tudo foi feito para poder manter viva a esperança das pessoas. Acredito que com essa mudança muitos se afastaram da igreja, mas muitos também se mantiveram firmes na crença de que tudo passaria. Para mim, foi importante manter-me naquele ambiente para não sucumbir à ansiedade. 

Mais coisas mudaram. Meu pai já não saía mais para trabalhar às 8h como de costume; agora trabalhava de casa. Minha irmã passou a assistir às aulas de casa e minha mãe deixou de ir ao mercado com frequência. Por ser a irmã mais velha e, consequentemente, com “mais saúde”, passei a ir ao mercado e a fazer os demais serviços essenciais sozinha, seguindo aquela sequência de hábitos que, em partes, se mantém até hoje: pôr a máscara, higienizar as mãos e ir; na volta, tirar os sapatos antes de entrar em casa, limpar alimento por alimento, lavar as mãos, tirar a máscara e colocar as roupas usadas para lavar.

Nos meus estudos, tive uma mudança abrupta ao me organizar. No início, me entreguei à procrastinação – não acreditava que conseguiria enfrentar o ensino remoto. Porém, assim que o SAID abriu e o calendário acadêmico foi liberado, juntei forças de onde não tinha e tentei seguir em frente. Lembro-me que, no começo, eram permitidas, no mínimo, 3 (três) disciplinas, mas me recusei a atrasar mais minha graduação e acabei puxando 10 (dez) disciplinas. Todavia, no decorrer do período acabei cancelando 3 (três) disciplinas e seguindo apenas com 7 (sete) até o final de 2020.1. O problema enfrentado por mim foi o mesmo que diversos outros universitários enfrentaram, uma vez que a internet move o mundo. No Brasil, contudo, ter acesso a ela não é a realidade de 100% da população. A UERJ distribuiu tablets aos estudantes, mas muitos enfrentaram problemas para conseguir ter acesso a ele e, quando finalmente conseguiram, as aulas já haviam começado. Não foi todo mundo – alguns alunos conseguiram acesso ao tablet com normalidade, porém outros tiveram dificuldade. De todo modo, compreendo que a universidade estava fazendo o que estava ao seu alcance para nos ajudar.

Por mais que coisas ruins tenham acontecido durante a crise sanitária, algumas coisas boas também aconteceram. Foi durante a pandemia, por exemplo, que me permiti me apaixonar novamente, após passar por fortes problemas emocionais no início do período acadêmico de 2019. Acabei ficando noiva no Natal de 2021, mostrando que, mesmo em meio ao caos, coisas boas também podem acontecer se você tiver amor o suficiente para se permitir viver e encontrar forças para lutar e se reencontrar na confusão.

Expectativas de antes da pandemia 

Diversos elementos foram mudados na minha rotina. Já não acordava mais às 5h da manhã para pegar o trem na estação de Campo Grande, no Rio de Janeiro, não comia no 9° andar da UERJ, como de costume, com as minhas amigas, todos os dias pela manhã no intervalo entre as aulas, não almoçava mais no bandejão, perdi meu estágio e fiquei sem rumo por longos 6 meses, até a faculdade se reinventar e promover o PAE – Período Acadêmico Emergencial. Não existiu mais a troca face a face com os professores durante as aulas, as discussões sobre os textos propostos não foram mais as mesmas e, por muito tempo, fiquei desgostosa com as questões da faculdade.

Apesar disso, precisei adaptar-me ao “novo normal”. Forcei-me a aceitar o ensino remoto, apesar de não gostar nem um pouco, e comecei a me organizar melhor com relação às disciplinas. Montei um quadro de horários, o imprimi e colei na parede do meu quarto. Todas as vezes em que pensava em desistir lembrava das expectativas que havia criado no meu interior ainda no ensino médio.

No que concerne a essas expectativas, durante o ensino médio nunca havia pensado em cursar pedagogia, na verdade, fugia de qualquer curso que fosse voltado para o magistério. Por isso, tentei o vestibular para o curso de direito por 2 (dois) anos e, depois, acabei desistindo por pensar que, já que sempre batia na trave e não conseguia passar, o curso não era para mim. Assim, em 2019, fui aprovada em 3 (três) cursos, todos – por ironia do destino – voltados para o ensino. O primeiro foi para pedagogia, na UERJ, o segundo, letras português/inglês, na UFRRJ, e o terceiro, para ciências biológicas, também na UFRRJ. Como havia passado para pedagogia logo de cara em 2019.1, comecei a cursar e acabei gostando das questões abordadas nas disciplinas. Porém, no início de 2019.2, fui aprovada, via ENEM, para letras português/inglês, na Rural, e fiquei dividida entre os cursos, pois sempre gostei da língua inglesa. Ainda assim, optei por manter-me na pedagogia, visto que já havia cursado um período inteiro. Ao mesmo tempo, fui aprovada, via CEDERJ, para ciências biológicas e, mais uma vez, me vi dividida. Dessa vez, fiquei muito triste, pois sempre quis cursar ciências biológicas para, em seguida, me especializar em biologia marinha. Contudo, caso me matriculasse passaria a ter aulas remotas e toda a minha expectativa de viver uma vida acadêmica presencialmente, em uma faculdade pública, iria por água abaixo, então acabei continuando na pedagogia com muita dor no coração, mas confiante de que daria tudo certo.

Antes de me matricular, de fato, na UERJ, pesquisei a fundo sobre a pedagogia para entender as possíveis áreas de atuação, a base salarial, a duração do curso, a carga horária, o que eu aprenderia durante a graduação, entre outras questões que surgiram. Assim, dei início à faculdade pública e passei a criar algumas expectativas. Antes da faculdade, nunca havia ido tão longe sozinha, por isso uma das minhas expectativas era a de poder fazer o trajeto até a faculdade e me sentir, realmente, uma estudante, carregar a mochila e sentir no peito o orgulho de estar em uma universidade pública. Outra expectativa foi gerada por saber o peso que o nome UERJ carrega. Assim, logo no início das aulas, me encarreguei de comprar um broche escrito o nome da faculdade para colocar na minha mochila, de modo que todos que me vissem no trajeto para a faculdade saberiam do lugar onde eu pertencia. Por infelicidade da vida, contudo, a pandemia chegou e, com ela, a tristeza de ter perdido minha tão amada UERJ por tempo indeterminado. Mas, preferi abraçar as oportunidades que a faculdade estava oferecendo, na medida do possível, ao invés de me entregar a uma crise existencial.

Uni forças e me dediquei para recuperar o tempo perdido: passei a assistir às aulas síncronas e a ler os textos propostos fazendo resumos sobre eles. Até hoje, tento “sugar” ao máximo todo conhecimento que o ensino remoto tem me proporcionado, mesmo que, atualmente, eu venha enfrentando certas dificuldades com relação ao tempo. No final do ano de 2021, consegui um emprego de período integral em uma escola próxima à minha casa e, desde então, venho, novamente, tendo que me reinventar. Precisei readaptar o ensino remoto de forma a fazê-lo se encaixar na minha realidade, diferentemente da primeira vez em que eu tive que encaixar-me a ele.

Aprendizados da PPP

Durante todo o processo, lembro-me do momento em que tivemos que escolher a nossa PPP. De primeira, ao olhar o nome e os conteúdos das PPPs não me interessei por nenhuma. Porém, para ser sincera, acabei escolhendo a do departamento de Estudos Aplicados pela professora Ana Mignot. Isso se deveu ao fato de eu não ter me familiarizado com os professores das outras disciplinas disponíveis, então acabei optando por essa PPP por medo de enfrentar algum professor que não fosse “compreensivo”. Assim, iniciei o período de PPP sem grandes expectativas.

Não obstante, passei a gostar da PPP escolhida, dos textos propostos, da metodologia utilizada e da forma como a professora Mignot lidou com o período emergencial, propondo discussões pertinentes e fundamentadas. Por mais que, nesse período, eu não estivesse acompanhando as lives de forma síncrona, nos períodos anteriores costumava participar e contribuir, de alguma forma, para as questões abordadas durante as aulas, mesmo sabendo que precisava melhorar em alguns pontos.

Muitos trabalhos foram desenvolvidos ao longo dos 4 (quatro) períodos que compõem a disciplina. Os primeiros semestres foram voltados à leitura e à escuta de textos e biografias. O primeiro trabalho exigiu que os alunos desenvolvessem uma resenha que tratasse das dificuldades enfrentadas durante a pandemia. Para tanto, a professora disponibilizou um modelo de texto e os alunos deveriam, apenas, encaixar suas experiências naquela determinada formatação. 

Em seguida, tivemos de escolher uma biografia e realizar uma pesquisa para, após, ser apresentada. Escolhi a biografia da princesa Isabel. Lembro de tê-la escolhido, pois tinha o desejo de escolher alguma mulher que tivesse sido importante para a história do país – ninguém melhor do que a princesa responsável por assinar a Lei Áurea para compor essa base. Nunca tinha voltado meu olhar para a importância de uma biografia até o momento em que precisei pesquisar sobre uma. No início, não gostei da ideia; pensei: “se já existe a biografia, para que eu preciso pesquisar mais sobre ela?”. Apesar disso, no decorrer da construção do trabalho, pude compreender a importância de se ter um olhar atento às biografias e como elas são um patrimônio importantíssimo no meio acadêmico. Entendi que elas fazem parte de quem somos e nos ajudam a entender quem são as pessoas por trás de determinadas escritas. Tal compreensão contribuiu, também, para o meu autoconhecimento, pois foi através da leitura de outras biografias que pude iniciar este trabalho, sabendo de que forma poderia escrever sobre mim de maneira acessível e ampla.

Outra atividade importante realizada durante a PPP foi o Café Biográfico. Faltam palavras para descrevê-lo. O projeto foi, sem dúvidas, o mais interessante da disciplina, pois ele proporcionou aos alunos da PPP conhecimentos ora não aprendidos e permitiu, ainda, o aperfeiçoamento daqueles que já os tinha, através de mesas de conversa e de discussões acerca dos mais variados temas.

Durante o período em que aconteceu o Café Biográfico, precisei gravar um vídeo realizando a leitura de um texto predeterminado que tivesse relação com o tema do dia. O texto que li foi uma sequência do artigo de Bertha Lutz, em “Cartas de Mulheres”, publicado na Revista da Semana, em 1919, pois, no dia, o tema da mesa era “Mulheres, Política e Educação”.

Como trabalho final, foi necessária a construção de uma síntese do dia de evento que mais tivéssemos gostado. Ela seria entregue à professora como forma de nota para compor as avaliações do semestre. O Café que escolhi foi, justamente, o que tive participação com a leitura do texto de abertura, pois despertou, em mim, o interesse de conhecer mais sobre a história da luta das mulheres na educação e na política, assim como sua trajetória até os dias atuais. 

Neste período, mais voltado à produção textual, foi necessária a construção deste trabalho. Sua construção se deu a partir das aulas síncronas, durante as quais tivemos de desenvolver o trabalho em partes e apresentá-lo à professora para que ela pudesse tecer comentários e, assim, pudéssemos montá-lo de acordo com o que foi proposto. Pude voltar o olhar para as situações que ocorreram no meu âmbito familiar durante o momento pandêmico. Lembrei-me, por exemplo, de quando minha mãe pegou Covid no início do ano de 2022 e precisei me ausentar do trabalho para cuidar dela, já que meu pai não poderia de forma alguma contrair essa doença. Ocorre que, além de ele ser portador de diabetes, hipertensão e de entre outras doenças que o tornam fator de risco, em 2020, no auge da pandemia, ele realizou uma cirurgia no coração, em que poderia ter falecido, mas que, graças a Deus, deu tudo certo. Ademais, precisei tomar cuidado extra com a minha mãe, pois ela também é do grupo de risco, pois tem bronquite e hipertensão. Como minha irmã mais nova tem apenas 13 anos, precisei assumir as rédeas da casa e me desdobrar em 4: uma enfermeira, uma mãe para minha irmã, uma cuidadora para o meu pai e, o que sobrava ao final do dia, eu dedicava a mim. O cansaço físico e, principalmente, o mental me assolavam quando deitava a cabeça no travesseiro e as lágrimas vinham ao meu rosto ao ponderar as diversas possibilidades de fim para aquela situação, considerando das mais felizes às mais tristes. Após passar por esse período turbulento, pude focalizar, novamente, a faculdade e o trabalho, respeitando todas as medidas de higiene e segurança que, por fim, em abril e maio de 2022, foram tornadas facultativas, a saber o uso da máscara e a apresentação do passaporte vacinal, respectivamente.

O que pretendo estudar

A partir dos estudos feitos no decorrer da PPP, e do meu interesse próprio, por mais que ainda esteja amadurecendo a ideia, penso em me aprofundar no ensino de libras na educação infantil. Para isso, precisarei aprender a língua e me inserir mais na comunidade surda, a fim de aprender, verdadeiramente, o cotidiano dessa realidade.

Por mais que eu já saiba alguns sinais e tenha noção do básico, para a realização do meu trabalho de conclusão de curso, precisarei me dedicar mais a libras para poder falar com certa propriedade do assunto. Para tanto, contarei com autores como Audrei Gesser, que explora as indagações acerca da gramática e a origem da Língua de Sinais, além de esclarecer sobre a contínua comparação entre a LIBRAS (língua brasileira de sinais) e a língua portuguesa, bem como sobre a forma escrita de sinais (Signwriting), entre outras questões imprescindíveis.

Outros materiais poderão ser consultados, como canais no YouTube que fazem reflexões acerca dessa temática. Destaco o canal do médico Dráuzio Varella, que postou um vídeo informativo chamado “Os surdos têm voz”, e o canal “Isflocos”, que, também, trata dessas questões e conta com um autor que é surdo e explica, com propriedade, sobre o assunto.

Meu interesse vem desde o início da graduação, quando, no primeiro período, tivemos uma disciplina obrigatória de libras. Todavia, senti que apenas um período não seria o suficiente. Tentei puxar uma disciplina eletiva de libras nos três períodos seguintes, sem êxito, pois não foi disponibilizada nenhuma disciplina sobre o tema. No 5° período, porém, encontrei uma eletiva universal, oferecida pelo Instituto de Letras, cujo nome era Libras I, e pude cursá-la por um período. Agora, cursando o 6° período, continuo na mesma eletiva (intitulada Libras II), e meu interesse pelo tema só cresce. 

Acredito que eu teria condições de construir uma boa pesquisa, visto que, o que mais preciso, eu já tenho: o interesse, a curiosidade e a definição do tema e problema, que seria “a importância do ensino de libras na educação infantil: uma perspectiva inclusiva”. Esse tema, a meu ver, traria inúmeras contribuições para a educação, uma vez que a inclusão é um processo em construção e como, a cada momento, surgem novas demandas, ainda são encontradas muitas barreiras no cotidiano escolar para a sua efetivação. No entanto, através dos estudos, das pesquisas e da luta, penso que, no futuro, desfrutaremos de uma educação inclusiva de qualidade, por meio da qual a educação será, de fato, um direito assegurado a todos, sem seletividade ou exclusão. Acredito, ainda, que haverá impactos positivos na comunidade surda brasileira, assim como haverá a disseminação de informações sobre a importância da educação de surdos e da língua brasileira de sinais. Penso que tal disseminação será eficaz e trará benefícios futuros, pois o que se planta hoje, se colhe amanhã.

Para que as crenças acerca da comunidade surda sejam deixadas de lado, é necessário que a promoção do acesso a libras seja utilizada como ferramenta principal na integração e na inclusão de pessoas surdas com ouvintes nos espaços sociais, o que favoreceria o conhecimento, o respeito mútuo e a aceitação de surdos, assim como de suas particularidades, de sua cultura, de sua língua e de suas opiniões, por exemplo. Dessa forma, a partir do meu interesse e da realização de um estudo fundamentado, poderei desenvolver uma pesquisa ampla e com uma finalidade que acredito ser muito necessária, pois o que vemos em algumas escolas está longe de se chamar de inclusão social.

Conclusão

Este trabalho buscou expor os entraves que enfrentei durante a graduação em pedagogia, com especial ênfase no decorrer da crise social que vivenciamos. Sigo tentando dar o meu máximo em todas as disciplinas e com a fé de que no próximo período estarei presencialmente na UERJ. Espero que possamos tirar alguma lição do caos que vivemos há 2 longos anos e que possamos refletir sobre os problemas que a educação brasileira tem enfrentado desde o início.

Acredito que a maior parte dos brasileiros sofreu com as mesmas dificuldades, salvo aqueles que puderam se isolar em suas casas grandes com todo o conforto. Refiro-me àqueles que perderam entes queridos, que sofreram com a falta de afeto e de um simples aperto de mão, que, antes, não era tão valorizado. Penso vivi uma revalorização da minha própria realidade, da vida e das pessoas. Entendi que o momento foi e é o nosso novo “normal” e, por isso, valorizo a minha vida e as pessoas à minha volta, visto que, infelizmente, muitos perderam pessoas importantes durante a pandemia.

Encontrei dificuldade em conciliar o trabalho com a academia, mas me mantive firme, na maior parte do tempo. Tive problemas de saúde no mês de março e me afastei de várias atividades durante esse tempo. Fiquei afastada das atividades acadêmicas e do trabalho, com medo, inclusive, de ser demitida. Fiquei praticamente o mês todo parada; não queria, mas precisei me afastar para poder melhorar física e, principalmente, mentalmente. Durante o auge da pandemia não tive muitas crises de choro. Contudo, no mês de março do ano corrente, entrei em um ciclo profundo de depressão e ansiedade. Sentia que não ia dar conta das atividades que precisava e, ao invés de me reorganizar, acabei me entregando ao desespero. Graças ao meu noivo, que se manteve firme comigo, voltei a acreditar em mim e, enfim, consegui retomar as atividades normais.

Os maiores desafios da formação durante a pandemia são a instabilidade e a incerteza que decorrem do formato das aulas e das mudanças nas medidas para conter o vírus. Com a iminência da vacina e com os lockdowns repentinos foi quase impossível conseguir estabelecer uma boa rotina de estudos.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2022, o número de inscrições em universidades públicas, por meio do Enem e do Sisu, obteve uma redução que pode ser explicada pelas dificuldades ocasionadas pela pandemia e suas consequências, como a crise econômica e a dificuldade de mobilidade. Dessa forma, espera-se que com o aumento de pessoas devidamente vacinadas e a consequente redução na taxa de letalidade da doença, as aulas presenciais sejam aderidas, novamente, os alunos voltem a se inscrever nos vestibulares e que eles retornem aos estudos de maneira gradativa e com mais vigor. 

Por fim, como aluna, cabe perceber no que estou falhando e me esforçar mais. Por isso, mesmo tendo lido e acompanhado o andamento da disciplina, até o momento, considero importante ampliar e aprofundar, através de pesquisas e práticas, meus conhecimentos para que, no futuro, eu possa me tornar uma profissional coerente e que contemple todas as subjetividades do meu alunado.

Referências

BRASIL. Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Educacional Anísio Teixeira (INEP). Censo da Educação Superior. Brasília, DF, c2022. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/censo-da-educacao-superior. Acesso em: 11 fev. 2022.

GESSER, Audrei. LIBRAS? Que língua é essa?: crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

ISAAC, Gabriel. Isflocos. YouTube. Disponível em: <Isflocos – YouTube>. Acesso em: 10 mai 2022.

KOTRE, John. Luvas brancas: como criamos a nós mesmos através da memória. São Paulo: Mandarim, 1997.

VARELLA, Drauzio. Os Surdos Têm Voz. YouTube, 20 de julho de 2017. Disponível em: <Os surdos têm voz | Leonardo Castilho | Cabine #11>. Acesso em: 10 mai. 2022.

Participação na live do Café Biográfico